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Poços de Caldas, 24 de janeiro de 2007.

Minha primeira carta: Política e Liberalismo

 

Tenho lido várias cartas. A maioria de Benjamin Franklin, outras de João Mellão Neto e, influenciado por elas, decidi escrever também. Apesar de escritor principiante, vou dedicar-me, já em minha primeira carta, a maior de todas as minhas paixões: a Política.

Não tentarei ser imparcial ou neutro nas minhas colocações. Seria omisso e dissimulado se fugisse da minha sólida e (até hoje) inabalável inclinação liberal. Pretendo responder às pessoas que, indignadas, me perguntam o motivo deste fervoroso envolvimento com o que chamo de “a mais nobre de todas as profissões”.

Acredito na Política, minha profissão. Acredito que o comércio de idéias é a mais edificante e positiva atividade humana. Certa vez, ouvi de um grande professor: “Quando dois homens se encontram, nos caminhos da vida, e trocam seus pães, cada um continua com um único pão. Mas, quando dois homens se encontram e trocam suas idéias, cada um segue com duas idéias – a que tinha e a que recebeu.”

Desde criança, carrego uma grande dúvida quanto à capacidade do aparato estatal de resolver problemas e, infelizmente, a cada dia, tenho mais clareza da sua incapacidade. Entretanto, ainda é por meio desse falido Estado, com toda a sua produtividade e eficiência, que as esquerdas pretendem resolver os problemas do Brasil. Tentam agigantá-lo ainda mais. Fazem com que, progressivamente, o Estado interfira mais e mais nas relações sociais, políticas e econômicas da sociedade. Destroem colheitas e rebanhos sob o argumento de aperfeiçoá-los e devoram homens e vocações para “salvá-los”. Em nome da liberdade, escravizam seus povos com a injustiça social e, quando defendem a igualdade, nivelam todos na miséria e na falta de perspectivas.

Não contente com esta realidade, aos poucos, a insatisfação foi tomando conta de mim. Até que um dia, descobri que esse pensamento tinha nome: Liberalismo. Ser liberal é acreditar no homem, no seu potencial construtivo, na sua capacidade de discernimento. Mas, ser liberal também é reconhecer que o homem não é perfeito e que, quanto mais poder ele concentra, maiores são as suas chances de errar e se corromper.

Acredito que não cabe aos governos a divina missão de doutrinar seus povos. Basta não atrapalhar, não coibir a criatividade ou tolher suas iniciativas. Tive o cuidado de estudar atentamente o Liberalismo antes de defendê-lo e não me surpreendi quando, em suas idéias, encontrei conforto para meus pensamentos. “Feliz do homem que tem só um relógio, ele sempre sabe que horas são. Já quem têm dois, nunca tem certeza.”

Encerro expressando um sentimento inquestionável que pretendo carregar pelo resto de minha vida: no momento em que se desperta no homem, por mais miserável que seja, a sua índole empreendedora, não há obstáculo que não possa ser transposto.

VALEU!!

 

Tiago Cavelagna

(Este texto foi escrito no início de minha vida pública quando ainda ocupava o cargo de administrador regional da Zona Sul da cidade de Poços de Caldas. Hoje eleito vereador ainda continuo firme em meus ideiais. Espero que esta carta enriqueça e estimule outros jovens a se apaixonarem pelo liberalismo assim como eu!)

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